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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Saindo de uma fria (com Luiza Erundina)

Foto: Evelson de Freitas A/E
A deputada Luiza Erundina (PSB)  desistiu de seguir como vice do pré-candidato petista Fernando Haddad para as eleições na cidade de São Paulo. A decisão se deu após o PT firmar aliança com Paulo Maluf (PP) no início da semana, o que proporcionará a chapa, acréscimo de 1min35seg na propaganda eleitoral para TV.

A aliança com Maluf, antiga oposição petista, mostra o desespero do partido em dar visibilidade ao pré-candidato no pleito. Até agora, segundo a pesquisa Datafilha, Haddad tem apenas 8% das intenções de voto, contra 30% de José Serra (PSDB) e 21% de Celso Russomano (PRB). O ex-ministro da educação do governo Lula tem um longo caminho pela frente, e todo tempo de exposição na mídia é comemorado com glória, principalmente pelos marqueteiros da campanha. Só a imagem de Lula, que está ausente dos palanques desde o início do tratamento de um câncer, não será suficiente.

A iniciativa de Erundina em deixar a chapa, deve ser aplaudida, pois reforça os princípios da candidata, que teve Maluf como principal adversário em eleições passadas, brigando por ideais completamente diferentes. A ex-prefeita da capital paulista, pode não ter feito uma gestão gloriosa durante seu mandato em 1988, mas mostra uma faceta que não existe no atual cenário político brasileiro.

Enquanto Lula dá a mão aos adversários em troca de tempo na TV, afim de conseguir eleger lideranças estratégicas para o partido Brasil a fora, independente da ideologia ou caráter de quem agora passa a ser aliado, Luiza Erundina mostra uma atitude rara atualmente: a de não ir contra seus princípios e ser fiel ao seu eleitorado, relutando em não apoiar quem não confia ou não acredita.

O posicionamento da deputada pode até ser duro demais, e parecer antiquado aos procedimentos políticos atuais, mas mostra que ainda temos políticos que não topam dar as mãos a corruptos e picaretas a qualquer custo. A decisão de Erundina sem dúvida prejudicará ela e seu partido de galgarem espaço na administração da capital (e até na esfera federal), porém reforça os objetivos ideológicos e o histórico político da deputada, em um cenário onde cada vez mais vale tudo pelo poder.

sábado, 3 de setembro de 2011

O que é democracia no país em que políticos fazem tudo e população manda em nada?

Lula, Dirceu e Dilma no Congresso do PT. Dirceu, réu no processo do mensalão, foi ovacionado pelos militantes do partido. Nesse Brasil tudo pode e ninguém é de ninguém! (foto: site Veja)

Parece que cada vez mais os acontecimentos políticos desse país me deixam com um sentimento de indignação ascendente. Estamos todos esgotados, mas para nossos queridos governantes nunca é demais! O que se vê é uma população entediada com os rumos que sua política toma, mas que não consegue mudar o sistema. Parece que o verdadeiro sentindo da palavra democracia (governo do povo), está ficando mais longe de nossa sociedade.

Esta semana, tivemos ótimos exemplos de situações que deixam você e eu revoltados, sem saber o que fazer. Tivemos a absorção da deputada Jaqueline Roriz (PMN – DF), após a divulgação de um vídeo, em que ela aparece recebendo suposta propina, de Durval Barbosa (DEM). Ela não é a primeira e pelo visto não será a última beneficiada por leis que não valem para todos nesse Brasil. Qual foi o problema deste caso? Faltaram provas suficientes, ou todos queriam mesmo saborear uma boa pizza?

Exemplo de que todos merecem um perdão, José Dirceu foi acariciado e exaltado pelo eterno presidente Lula, Dilma Rousseff e militantes do PT, no 4º Congresso do partido, realizado na última sexta (02/09). Para quem não se lembra, o mesmo José Dirceu ovacionado por seus colegas e admiradores, é o principal réu no processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal). Ou todos têm memória curta, ou realmente não se importam com os inúmeros e desgastantes acontecimentos políticos em nosso país.

É um roubo atrás do outro, mas nunca ninguém é punido de verdade. Fazem o que querem com nosso dinheiro e quando o povo resolve se mobilizar é reprimido ou ignorado. Mais uma vez, o verdadeiro sentido da democracia se afasta. Uma das principais promessas na campanha da presidente Dilma, foi a erradicação da pobreza e a diminuição da desigualdade social. Porém, o que vemos até agora não condiz com o prometido. Nas redes sociais, vi um comentário exatamente assim: “Os políticos brasileiros estão preocupados com a distribuição de renda. Só que para as pessoas erradas”. Realmente, esta parece ser a mais pura verdade.

Nem a nossa região escapa! Em São José dos Campos, interior de São Paulo, mesmo sobre forte pressão popular, vinda de diversas cidades do Vale do Paraíba, os vereadores da cidade simplesmente ignoraram os protestos contra o aumento do “supersalário”, inicialmente previsto em cerca de 80%, mas fixado em 55%, passando de R$ 8 mil, para quase R$ 13 mil reais por mês. Os sucessivos protestos da população foram completamente ignorados. Claro, somente eles têm a razão.

Como se não fosse o bastante, nosso querido governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), tem a capacidade de pedir para que os professores trabalhem por “amor” e não por dinheiro, diante a crise da educação no estado. Veja que interessante, que genial, sr. Governador! Quer dizer que nesse país, professores, bombeiros, policiais e outros milhares de trabalhadores devem exercer suas funções com mais amor ao invés de se preocuparem em exigir mais pela miséria que ganham? Enquanto isso, a camada alta da população, composta por nossos políticos e servidores públicos, com salários que passam de R$ 13 mil, de R$ 26 mil, declaram aos quatro ventos que a quantia recebida é “compatível” com a função que exercem.

O fato é que nossos políticos simplesmente ignoram a opinião pública. A população é maldosa demais. A imprensa é investigativa demais. Eles só estão ganhando seu "dinheirinho", pegando uma carona em "jatinhos" públicos, usando e abusando daquele "salariozinho" que sai do meu e do seu bolso. Nossos governantes governam para seus interesses próprios, e enquanto isso acontecer vou continuar desacreditando no exercício da plena democracia. O governo brasileiro é de todos, menos do povo.